16 maio 2009

La bohème


Há uns dias, na minha escola, realizámos uma peça de teatro, em honra da semana da língua das românicas.
A peça de teatro passava-se no inicio do séc. XX, durante a revolução boémia francesa. E foi escrita por mim. Pouca audiência, poucos aplausos, é verdade, mas não há nada de mais gratificante para alguém que gosta de escrever, como ver uma peça sua ser realizada por pessoas que se esforçaram realmente para a recriar e representar.
A peça gira em volta de um pintor, sem inspiração, que a reencontra numa fotografia de uma mulher indiana, e todas as considerações tecidas em volta da inspiração que a fotografia causa, o amor e a boémia, por parte desse pintor, de dois poetas seus amigos, e de duas prostitutas habituais.
Não foi uma obra prima, e os cenários não foram os melhores, mas toda a elaboração, ensaios, treinos foram realmente divertidos. E a forma como um texto que escrevemos ganha vida, é absolutamente inacreditável. Olhar para as pessoas, e perceber que são as mesmas que inventaste, que por momentos estás dentro de todas, que estão ali os personagens que criaste, que inventaste, que controlas, mesmo à tua frente, palpáveis e visíveis, sentimo-nos gratificados com o nosso trabalho, e não há nada como isso.

10 maio 2009

Poema

Podia raptar-te
Aprisionar-te num castelo
Fazer-te minha, literalmente.
Assinar os papeis da tua compra
podia magoar-te
ou violar-te
Podia amar-te
mas em vez disso
fico para aqui a escrever...

14 abril 2009

O que aconteceu ao poema?

O poema afogou-se porque o poeta não sabia escrever e por muito que o cantasse, as nuvens levaram-no para o mar e ele afogou-se, e lá está agora, sem ar, palavras antes cheias de valor, apenas cheias de água, e ninguém. Ninguém quer saber.

11 abril 2009

O camponês

Havia um camponês
que todos os dias trabalhava
trabalhava
trabalhava.
Tinha uma pá e uma enchada,
e mãos suadas,
e uma cara mirrada,
mirrada como uma flor velha
da qual ninguem gosta.


E todas as manhãs ia para o campo,
e os seus patrões davam-lhe a pá,
porque nem a pá ele podia ter dele
e ele trabalhava, e trabalhava.
Plantava trigo, e batatas,
mas nunca mais as via, porque iam para os seus patrões
e toda a gente do mundo comia o que ele semeava,
toda a gente.
Menos ele.

Ele vivia triste e amargurado
mas não conhecia vida melhor.
Ninguém lhe dava vida melhor, ninguém.

Um dia, enquanto escavava, olhou incrédulo para o chão,
e a sua alma congelou,
do chão escorria sangue e em vez de trigo, espinhas mortas consumiam as vivas,
tal como o padre um dia disse que Moisés sonhou, ou talvez fosse José.
os montes, tornaram-se em altos alternados com sulcos,
tal e qual umas costelas muito magras.
E o camponês descobriu, que a terra que escavava
não era nada
se não ele próprio.

02 abril 2009

Fim do mundo.

E, nesse dia o céu começou a cair, e as árvores, e pedras que vinham do espaço, mas, os humanos cá em baixo não gritaram, esperaram honrados o fim merecido.

31 março 2009

E por fim as memórias desvaneceram-se...

30 março 2009

O viajante.

Depois de subir a mais alta montanha, e de olhar para as suas mãos em carne viva, o viajante percebeu a terrível verdade:
Não passamos todos de memórias esquecidas num futuro inalcansável.