14 abril 2009

O que aconteceu ao poema?

O poema afogou-se porque o poeta não sabia escrever e por muito que o cantasse, as nuvens levaram-no para o mar e ele afogou-se, e lá está agora, sem ar, palavras antes cheias de valor, apenas cheias de água, e ninguém. Ninguém quer saber.

11 abril 2009

O camponês

Havia um camponês
que todos os dias trabalhava
trabalhava
trabalhava.
Tinha uma pá e uma enchada,
e mãos suadas,
e uma cara mirrada,
mirrada como uma flor velha
da qual ninguem gosta.


E todas as manhãs ia para o campo,
e os seus patrões davam-lhe a pá,
porque nem a pá ele podia ter dele
e ele trabalhava, e trabalhava.
Plantava trigo, e batatas,
mas nunca mais as via, porque iam para os seus patrões
e toda a gente do mundo comia o que ele semeava,
toda a gente.
Menos ele.

Ele vivia triste e amargurado
mas não conhecia vida melhor.
Ninguém lhe dava vida melhor, ninguém.

Um dia, enquanto escavava, olhou incrédulo para o chão,
e a sua alma congelou,
do chão escorria sangue e em vez de trigo, espinhas mortas consumiam as vivas,
tal como o padre um dia disse que Moisés sonhou, ou talvez fosse José.
os montes, tornaram-se em altos alternados com sulcos,
tal e qual umas costelas muito magras.
E o camponês descobriu, que a terra que escavava
não era nada
se não ele próprio.

02 abril 2009

Fim do mundo.

E, nesse dia o céu começou a cair, e as árvores, e pedras que vinham do espaço, mas, os humanos cá em baixo não gritaram, esperaram honrados o fim merecido.

31 março 2009

E por fim as memórias desvaneceram-se...

30 março 2009

O viajante.

Depois de subir a mais alta montanha, e de olhar para as suas mãos em carne viva, o viajante percebeu a terrível verdade:
Não passamos todos de memórias esquecidas num futuro inalcansável.

27 março 2009

O rapaz estúpido

Era uma vez um rapaz infeliz e estúpido.
Era tão estúpido que nem merecia viver. Então o Mundo dirigiu-se ao rapaz e disse que a partir daquele dia só o deixaria viver se não sentisse a sua respiração, nem a sua presença.
Então o rapaz partiu em busca de um pedaço de não-mundo, sempre em vão. E por muito que procurasse, todos o odiavam, e o mundo começava já a pensar como matá-lo.
Até que um dia encontrou, e entrou nesse pedaço de não-mundo, e lá dormiu para sempre.

24 março 2009

24/03/2009



Fomos mais de cem!
Espero que venhamos a ser mais de mil!
Liberdade e democracia sempre!